sexta-feira, 31 de julho de 2020

Passeio na roça

Passeio na roça

Tem tudo de bom,

Rever os parentes

Não tem comparação.

Saudades,

Compartilhar alegrias

E, às vezes, tristezas

Contar “causos”.

O ar fresco

O calor do sol

O cheiro do curral

A água correndo pelo córrego

Os pássaros cantando

Os galhos das árvores balançando

Ao sabor dos ventos,

A contento.

(Alexander Brito)

Foto do autor.


Fogão a lenha

O fogão a lenha

Que reúne a família ao seu redor

O bambu estalando

As faíscas iluminando

O calor que emana

Aquecendo a cozinha

E os nossos corações

E a conversa descontraída

O riso, a alegria

“Causos” da roça, do dia-a-dia.

Sobre ele defuma o toucinho,

Assados em seu forno

A broa de fubá, o bolo de milho,

Os biscoitos, a pamonha,

As “merendas” como dizia meu avô.

O milho verde e a batata-doce

Repousam sobre suas brasas

Que a criança curiosa

Remexe com um graveto

E, uma tia alerta,

“Vai mijar na cama”.

Nos dias frios, o cozido

A galinha com palmito

Borbulhando

E nosso apetite aguçando,

Na panela de ferro

O café é torrado

Para nos despertar no dia seguinte

O amendoim é torrado

Garantindo a paçoca da Semana Santa

E da Festa Junina.

Mas, não para por aí

Pela serpentina corre a água

Que aquecida

Vai nos banhar.

Quanta coisa boa

O fogão a lenha nos traz de recordação!

(Alexander Brito)


*Uma homenagem ao meu avô José Isídio e à minha tia Geni. E a toda a minha família das Minas Gerais.

Foto do autor.

 


Kalanchoe

Nome popular: kalanchoe, flor-do-papai, flor-da-fortuna
Nome científico: Kalanchoe blossfeldiana
Família: Crassulaceae

Planta suculenta, com até 40 cm de altura. Originária do continente africano (Madagascar).
Suas variedades apresentam flores de cor vermelha, laranja, amarela, rosa, lilás e branca.
Pode ser cultivada sob sol direto, de preferência evitando-se o sol das 11 horas às 14 horas, meia-sombra ou em ambientes com luz indireta. Desta forma, se presta para compor bordaduras em jardins, cultivada em vasos dentro de casa e em floreiras.
As mudas podem ser obtidas por meio de estacas com 5 centímetros de comprimento.
Existe a crença de que cultivar essa planta ou presentear alguém com ela traz prosperidade.

Foto do autor.


quinta-feira, 30 de julho de 2020

Terreno rochoso

Em um terreno rochoso existem muitos afloramentos de rochas de diversas dimensões. Essas rochas estão em processo de desgaste por ação do intemperismo (água da chuva, variação da temperatura, vento) e ação de líquens que crescem sobre elas. À medida que são desgastadas suas partículas irão formar o solo.
Neste tipo de terreno o solo é raso e seco, pobre em sais minerais. Isso dificulta o desenvolvimento das raízes das plantas de modo que, em geral, as plantas que aí crescem são gramíneas, herbáceas, arbustivas e árvores de pequeno porte.

Foto do autor.

Taipa de pedras

A taipa de pedras nada mais é do que uma cerca de pedras empilhadas. Elas são encaixadas umas às outras. Não se utiliza nenhum tipo de material com o objetivo de fixar umas às outras como cimento, por exemplo.
Eram muito usadas nos séculos passados quando não havia disponibilidade de arame farpado. Hoje, é muito mais econômico e rápido construir cercas com mourões e arame farpado.
Contudo, elas continuam a ser utilizadas em regiões onde há grande disponibilidade de material e ainda quando o terreno impede a fixação de mourões, como sobre lajes rochosas.
Atualmente, seu uso tem função mais arquitetônica devido sua beleza e rusticidade.

Foto do autor.

A lenda da araucária

A araucária também é conhecida como pinheiro-do-paraná.
Seu nome científico é Araucaria angustifolia e é uma gimnosperma, ou seja, uma planta que não produz frutos, assim, suas sementes ficam expostas. Por sinal, sua semente é o pinhão.
Uma bela lenda indígena explica a origem desta maravilha da flora brasileira.
Certa vez, um índio saiu para caçar uma onça. Nisto ele viu a curandeira da tribo inimiga que também andava pela mata e se apaixonou por ela. Após matar a onça, carregando-a em seu ombro, o caçador encontrou a bela índia que ao ver aquela cena, se assustou e desmaiou. Guerreiros da tribo inimiga encontraram a curandeira nos braços do índio que a amparava. Eles pensaram que ele havia causado algum mal a ela, e o mataram a flechadas. Tupã, comovido com a situação, transformou o índio em uma árvore, sendo seu corpo o tronco, as flechas seus galhos, as gotas de sangue que pingavam do seu corpo em sementes e a índia em uma ave, a gralha-azul. A gralha-azul enterra as sementes da araucária para que o índio possa sempre renascer.

Foto do autor.

quarta-feira, 29 de julho de 2020

Parque Arqueológico Serra de Santo Antônio, Andrelândia, Minas Gerais

A área do parque abrange 12 hectares e está localizado na serra que possui o mesmo nome, no município de Andrelândia, que pertence à mesorregião do Campo das Vertentes, MG.
Sua altitude varia entre 1.000 metros e 1.200 metros. A região é íngreme, rochosa.
Nele existem, pelo menos, duas nascentes principais que irão formar o Córrego Santo Antônio.
A flora do parque é típica do bioma Mata Atlântica. No parque e no seu entorno podem ser encontradas espécies de árvores como pau-pereira, cedro, jacarandá, figueira-branca, jerivá, ipê-amarelo, embira-branca, canela-rosa, caneleira, guatambu, angico, mamica-de-porca, embaúba, cambuí, guamirim, aroeira-brava, copaíba, guaçatunga, chico-pires, fruto-de-pombo, araticum, araucária, louro-branco, candeia, sangra-d'água, suinã, bico-de-pato, baguaçu, quaresmeira, amoreira-branca, capororoca, camboatã, tamanqueira e açoita-cavalo. Sua vegetação não é exuberante, as árvores não atingem grandes proporções, pois o solo é ácido, rochoso, pouco profundo e com baixo teor de matéria orgânica.
Em relação à araucária, a espécie está sendo reintroduzida no parque, pois ela havia sido dizimada da região pelos proprietários rurais do passado.
Sua fauna e do seu entorno inclui:
Mamíferos como gambá, lobo-guará, tatu, mico-estrela, ouriço, macaco-sauá, veado-campeiro, lebre e roedores.
Répteis como cascavel, lagarto-teiú, calango, urutu, cobra-verde, cobra-de-vidro, cobra-de-duas-cabeças e cobra-coral.
Anfíbios como cobra-cega, perereca-verde, sapo-cururu e rã.
Entre as aves, podemos citar canário-da-terra, tico-tico, suiriri, rolinha, asa-branca, pintassilgo, sabiá, bem-te-vi, pássaro-preto, gavião-caboclo, gavião-carrapateiro, gavião-carijó, carcará, seriema, sabiá-do-campo, joão-de-barro, joão-bobo, coruja, curiango, urubus-de-cabeça-preta e de cabeça-vermelha, anu-preto, anu-branco, pica-pau-do-campo, várias espécies de beija-flor, cambacica, jacuaçu, periquitão-maracanã, periquito-rei, tuim e alma-de-gato.
Entre os insetos temos abelha-africana, abelha-arapuá, abelha-jataí, mamangabas, cupins, formiga-saúva-cabeça-de-vidro, saúva-mata-pasto, quenquém, formiga-leão (várias de suas tocas-armadilhas construídas na areia podem ser vistas próximo ao paredão do parque) e várias espécies de borboletas.
O parque é constituído de um paredão rochoso onde são encontradas mais de 500 pinturas rupestres, representadas por figuras zoomorfas e geométricas, que datam de mais de 3.000 anos, formando o sítio arqueológico Toca do Índio.
Existem algumas formações geológicas que atraem os visitantes como a Gruta do Lagarto, a Gruta dos Novatos, a Pedra dos Amores e a Pedra do Gavião.
Antes da criação do parque as pinturas estavam ameaçadas pelo vandalismo: lascas da rocha com as figuras eram retiradas para serem levadas como lembrança, pichações, fogueiras que eram acesas pelos visitantes e pelo desmatamento. Um problema que ainda ocorre, porém, de forma menos frequente é a presença de lixo no local.
Além das figuras, vários objetos como ferramentas e armas de pedra e objetos cerâmicos já foram encontrados enterrados no solo da região indicando a existência de povos primitivos que ali habitavam. Inclusive, sementes de pinhão que serviriam de alimento para esses povos e testemunhas de que a araucária ou pinheiro-do-paraná era comum na região.
No parque está em exposição uma canoa que foi retirada das águas do rio Grande, na divisa entre Andrelândia e Santana do Garambéu, em outubro de 2014. A canoa indígena, é datada de 400 anos e é a mais antiga já encontrada no estado. Ela tem 9,10 metros de comprimento e 0,7 metro de largura e foi esculpida pelos tupi-guarani em um tronco de araucária.
O ponto culminante da Serra de Santo Antônio, e que não faz parte da área do parque, está localizado a 1.393 metros de altitude. Nele havia a capelinha de Santo Antônio, onde se rezava missas reunindo a população local, isso há décadas passadas. A capelinha foi destruída por uma tempestade, um raio a atingiu. Hoje, os escombros desta capelinha ainda podem ser vistos no local. Uma nova capela foi construída, em uma propriedade vizinha ao parque, na parte baixa, e a imagem de Santo Antônio foi levada para a nova capela.
Reza a lenda, passada pelos moradores mais antigos, que certo dia quando abriram a capela a imagem não estava mais lá. Procuraram e foram encontrá-la novamente no local da antiga capelinha no alto da serra.

Vista geral do Parque Arqueológico. Foto do autor.

Foto do autor.

Gruta do Lagarto. Foto do autor.

Gruta dos Novatos. Foto do autor.

Pinturas rupestres. Foto do autor.

Pinturas rupestres. Foto do autor.

Pinturas rupestres. Foto do autor.

Pinturas rupestres danificada. Foto do autor.

Pichação. Foto do autor.

Lixo na área do parque. Foto do autor.

Pedra do Gavião. Foto do autor.

Lagarto típico do parque. Foto do autor.

A região é rochosa. Foto do autor.

Araucárias plantadas na área do parque.

Canoa indígena. Foto do autor.

Suiriri. Foto do autor.

Visão do entorno do parque. Foto do autor.